Polêmico, abusado, elegante. São estes os primeiros adjetivos que me vêm à mente quando penso em Clodovil Hernandez. Conheci-o em 93, durante a entrevista sobre nosso livro Cartomancia, a Adivinhação pelas Cartas. Muito gentil, ao contrário do que às vezes se mostrava, fazendo seus convidados olharem para a tal “lente da verdade” ao responderem perguntas cabeludas, Clodovil afinou-se com o tema do livro – ele que era, de fato, dado às coisas do Imponderável e espiritualista assumido.
Lembro-me que eu faria apenas o primeiro bloco do programa e os outros dois seriam ocupados pelo músico e humorista Arnaud Rodrigues. O apresentador apreciou tanto o tema que permitiu que eu ficasse ali em todos os três, acompanhando a entrevista de Arnaud e convocando-o também a discutir as tais coisas imateriais. O músico, comovido, encerrou o programa puxando o coro da platéia com a bela música Folia de Rei, de sua autoria em parceria com Chico Anísio, que termina dizendo:
Ai, voar voei!
Ai, como eu voei!
E aprendi a nova lei:
Alegria em nome das estrelas
E folia em nome de rei!
Alegria em nome das estrelas
E folia em nome de rei!
Ai, eu partirei!
Ai, eu voltarei!
Vou confirmar a nova lei:
Alegria em nome de Cristo
Porque Cristo foi o Rei dos reis!
Uma noite de paz e alegria para se ter na memória, que compartilho com vocês esperando que guardem uma boa imagem do estilista talentoso, homem de mídia controverso e político casual Clodovil Hernandez.







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